ÁREAS DE INTERESSE: DIREITO, HISTÓRIA , FILOSOFIA (BIOÉTICA) E POLÍTICA.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Para darmos início à nossa busca pelo conhecimento, decidi postar esse artigo que possui cunho político-informativo.
Espero que vocês gostem.
Comentem! 

Para citar este artigo:

Monteiro de Barros Junior, Evandro. A importância do conhecimento para o exercício da cidadania na hora de votar. Lagos Online. 09/2012.  




Publicado no Jornal Lagos online em 09/2012
A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO PARA O EXERCÍCIO DA CIDADANIA NA HORA DE VOTAR

Nesse momento de eleições o cidadão encontra-se num verdadeiro dilema. Em quem votar? Quais são os candidatos realmente preparados para representar nossos direitos nos poderes executivo e legislativo? Essas são questões frequentes na mente daqueles que exercem o direito de voto de forma consciente.
No Brasil, sabemos que lastimosamente não é a maioria do povo que vota com sapiência e com vontade de acertar, visto que o nível de escolaridade do nosso povo ainda está longe de atingir um grau satisfatório em termos de politização e de conhecimento de direitos e deveres.
O objetivo deste texto é trazer ao leitor uma visão panorâmica do que representa o conhecimento na hora de utilizar a urna como instrumento de cidadania. Para esse escopo, demonstramos alguns fatos e algumas obras  importantes para formação de um cidadão consciente.
Historicamente, percebemos que nos tempos mais remotos, quando o homem descobriu a agricultura e se fixou em certas localidades para fazer sua “sociedade”, os primórdios da raça humana se reuniam em rodas para discutir sobre suas decisões na comunidade, para transmitir suas tradições dos mais velhos aos mais jovens e para tratar dos assuntos gerais de interesse do grupo.
            A transmissão do conhecimento e a apreensão do saber é um processo complexo que não se resume somente em simples atos de ensinar e aprender, mas consiste em um processo cognitivo que foi desenvolvido durante toda a história da humanidade.
Então, a partir dessas premissas, entendemos que todos os eleitores devem ter suas convicções na hora de votar e que tais convicções devem ser inabaláveis e protegidas de maneira que nenhum eleitor sinta-se coagido fisicamente, moralmente ou psicologicamente a votar em quem não deseja, seja por medo ou por qualquer outro tipo de coação.
É importante ressaltar que sob a óptica de Warren Weaver “a comunicação inclui todos os procedimentos por meio dos quais uma mente pode afetar outra mente”. Por isso, cuidado! Sua mente pode estar sendo afetada de forma maliciosa por candidatos oportunistas e desonestos.
Na antiga Grécia, Esopo, por seu método surpreendentemente inteligente, transmitia suas mensagens críticas ao modelo político – social pela via estilística das fábulas, deixando sempre uma lição de moral ao final de suas histórias. Esse tipo de comunicação é prestigiado até os dias de hoje nas redes de ensino e no meio acadêmico, assim como no mundo leigo do conhecimento, cardinalmente nos países onde é vigente o regime político democrático e o estado democrático de direito. As astuciosas conversas entre os animais, nos textos de Esopo oportunizaram uma nova forma de expressão política, o que se consolidou como um forte instrumento social de mudança da vil realidade.
Sabemos que o ser humano é dotado da qualidade de raciocinar, mas isso não basta, porque entendemos ser necessário um treinamento de interpretação sob a óptica de qualquer meio de comunicação, o que quer dizer que não basta nascermos dotados de capacidade cognitiva e sermos os “senhores do mundo”, mas devemos exercitar a crítica em prol do nosso melhor desempenho como cidadãos.

No ano de 1975 o filósofo francês Michel Foucault publicou uma obra crucial para o entendimento da forma da sociedade moderna. Denominada  Surveiller et Punir: Naissance de la prision, mais conhecida como Vigiar e Punir.Esse livro alterou o modo de pensar e de fazer política no mundo ocidental justamente porque trata de fundamental tema para a sociedade moderna.Tal tema se traduz no sistema penal adotado pelos modelos governamentais do mundo ocidental no qual o ser humano é vigiado por um sistema pré-moldado, tendo como alicerce de vigilância as entidades estatais (prisões, escolas e outras repartições públicas e até mesmo privadas).

            A obra de Foucault influenciou não somente os intelectuais acadêmicos, mas também pessoas importantes ligadas à arte e às ciências humanas de modo geral. Com o posicionamento apresentado pelo autor de que a disciplina cria “corpos dóceis”, que seria um atributo evoluído e ideal no caso de guerra, na vida laboral dos operários, que colaboraria com o crescimento econômico dos países nas classes educacionais e nos ordenamentos de regimentos. (FOUCAULT).

Esse panorama determinista rumo ao sucesso administrativo dos governos é um viés perigoso para se alcançar objetivos econômicos porque para que o sistema de vigilância funcione é necessário prejudicar particulares em seus direitos mais fundamentais (liberdade, direito ambulatório, liberdade de expressão) etc.
Anteriormente, em 1949, George Orwell já havia publicado um livro denominado 1984 que descrevia uma sociedade onde todos os seres humanos se submetem a uma vigilância constante das autoridades por um sistema de telescreen. Os cidadãos são sempre lembrados pelo Estado com uma frase: “Big brother is watching you”, em uma tradução livre, O Grande Irmão está te vigiando. (ORWELL).
 Nós seres humanos tendemos a adorar a ficção, pois assim saímos da realidade e vivemos num mundo somente de prazeres. O que é ideal para nosso progresso não é eliminar a ficção de nossas vidas, mas sim utilizá-la como uma ponte que nos leve ao progresso em todos os sentidos.
Em peroração e completando nosso raciocínio utilizamos um pensamento do autor de ficção científica David Brin que se traduz no seguinte: “o grande mérito da ficção científica não é prever o futuro, mas pintar um futuro tão horrível que as pessoas vão lutar para que ele não aconteça”. (WIKIPEDIA).
Ainda em um link intelectual entre grandes obras, não poderíamos deixar de mencionar a profunda mensagem do filme americano de 1989 dirigido por Peter Weir, Dead Poets Society (Sociedade dos poetas mortos) deixada pela expressão latina Carpe diem (aproveite o dia), demonstra que a vida é curta e que deve ser regozijada, além disso, o mais importante nos momentos cruciais da vida é a utilização do bom senso em nossas decisões para que tenhamos êxito e não comprometamos o futuro.
Com o conhecimento dessas grandes obras e com todos esses grandes esforços de inúmeros pensadores em prol da informação, da comunicação e do crescimento intelectual da humanidade, depois de ler esse texto, o que você irá escolher para o futuro do seu país?
EVANDRO MONTEIRO DE BARROS JUNIOR
LIVRE PENSADOR

2 comentários:

Unknown disse...

Caros leitores!
Esta é uma publicação de um artigo já publicado em um jornal impresso. Espero que gostem. Damos assim início a nossa caminhada rumo ao conhecimento neste blog.A próxima postagem será de continuação a este primeiro artigo.Bom proveito.

erikacostabarreto disse...

se todos os eleitores devem ter suas convicções na hora de votar e que tais convicções devem ser inabaláveis, não estaríamos sendo muito taxativos e tirando desse indivíduo a capacidade (ou necessidade) de evoluir através da mudança de idéias? Creio que deveria ser estimulada a capacidade do eleitor de mudar de ideia, tantas vezes quantas forem necessárias para que ele atinja a melhor escolha para aquele momento. Isto se torna ainda mais imprescindível se levarmos em consideração o baixo nível intelectual e a falta de hábito da maior parte da nossa população de raciocinar, o que torna o simples fato de variar entre uma ideia e outra uma espécie de evolução rumo a uma decisão mais coerente.